RUÍNAS ALADAS

Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possivel, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstroi entre cacos e silêncio.



Sábado, Novembro 19, 2005



AOS VISITANTES DAS RUÍNAS

Quero saber que atravessa essas imagens
- construções de palavras e silêncio.

Quero saber o que sentem ao mergulhar
no mundo hermético e sensível de meus delírios.

Quem visita este corpo feito em pedaços desperços
de formas imprecisas concebidas de um EU sem centro.

Quem vem aqui, neste espaço atemporal
feito de sonhos, mistério e sentimentos?


Deixem suas marcas para que eu possa ir além de meus espelhos...

PS.: ISSO É UM CONVITE, PARA QUE POSSA EU SABER COMO EXISTO PARA VOCÊS, NESTE MUNDO MEU DE ILUSÕES.

PS2.: Ultimamente não tenho produzido nada, por falta de tempo para o ócio criativo.

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:33 PM Comments:



Quinta-feira, Novembro 10, 2005


J. L. Moreno (1961)


VIDA E OBRA DE MORENO,
DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO PSICODRAMA E ALGUNS DE SEUS PRESSUPOSTOS TEÓRICO-FILOSÓFICOS


Luiz Fernando Calaça de Sá Júnior


O Psicodrama, como uma prática psicoterapeutica e uma visão concepção de homem surge e se desenvolve atrelada diretamente à história de seu criador, o médico judeu Jacob Levy Moreno, nascido em 6 de maio de 1889, em Bucareste (Romênia).
Didaticamente, podemos dividir o desenvolvimento do Psicodrama em 4 fases, correspondente aos diferentes momentos criativos de Moreno.

O primeiro momento, até 1920, corresponde a uma fase marcada pela religiosidade e por concepções filosóficas existenciais, que nortearam a juventude de Moreno.
Como influência da religiosidade, podemos citar desde a sua formação educacional judaica, tendo como exemplo as "brincadeiras de ser Deus", aos quatro anos de idade, e que segundo Moreno teria representado o primeiro marco do Psicodrama, além da influência da doutrina hassídica, um ramo do judaísmo que propunha a caridade e a inclusão de expressões lúdicas como a dança e a música nos ritos judaicos.
É dessa época a chamada "Religião do Encontro" e a "Casa do Encontro", na qual um grupo de jovens, dentre os quais Moreno, buscavam oferecer atenção, carinho e ajuda para os carentes de afeto, realizando trabalhos sociais em favor de desabrigados, migrantes e refugiados em Viena (cidade na qual Moreno se estabeleceu desde os 5 anos de idade).
Podemos citar também, nesse período, entre 1908 e 1911 a "Revolução dos Jardins de Viena", movimento realizado junto com crianças com o objetivo de estimular suas fantasias por meio de contos de fadas e representações livres e improvisadas, e que vem a ser tido como o 2ª Marco do Psicodrama. Esse movimento se aproximava já, indiretamente, das concepções pedagógicas desenvolvidas em 1907 por Maria Montessori, que propunha a valorização dos movimentos e estímulo à espontaneidade e à criatividade das crianças.
A preocupação de Moreno com questões ligadas a trabalhos comunitários e de grupo remetem também a essa época, quando, entre 1913 e 1914, ele, juntamente com o médico Dr. Wilhelm Green e o jornalista Carl Colbert, participa de uma experiência de readaptação de prostitutas da zona boêmia vienense, com pequenos grupos e sem interferências moralistas, buscando a conscientização das prostitutas quanto à importância do trabalho em grupo no resgate da dignidade, bem como acerca do papel social por elas desempenhado. É dessa época a publicação do poema Encontro, tido como um dos lemas do Psicodrama.
No período da I GUERRA MUNDIAL, entre 1914 e 1918, já como estudante de medicina (forma-se em 1917), Moreno incorporou-se a entidades de ajuda aos refugiados de guerra e pôde reconhecer nesse ambiente enormes tensões psicológicas de grupo, bem como suas múltiplas influências terapêuticas.
Quanto às concepções filosóficas norteadores dessa fase precedente do Psicodrama, têm-se, além do hassidismo, o sistema filosófico chamado seinismo - ciência do ser - criado pelo grupo da Religião do Encontro, e que primava por uma visão fenomenológico-existencial do homem. Como prova dessa relação com a filosofia da existência, temos a participação de Moreno, entre 1917 e 1920, como redator da Daimon Magazine, revista existencialista e expressionista que contava com a colaboração de Franz Kafka, Martin Buber, Max Scheller, Fraz Werfel.
Contato direto com Buber, em 1918, fez solidificar em Moreno a perspectiva de valorização da perspectiva dialógica da relação e interação entre sujeitos, já presente na concepção do momento de encontro.
O segundo momento do Psicodrama, seria o marcado pelo Teatral e terapêutico (1921 - 1924) e envolveria a fundação do Teatro Vienense da Espontaneidade, em 1921, tendo ocorrido a primeira sessão psicodramática (3º marco do Psicodrama) em 1º de abril de 1921, ao propor, a um grupo de expectadores, que se posicionassem no lugar de "rei" da Viena pós-guerra, numa manifestação de cunho público e político, característico do movimento artístico das vanguardas teatrais da época. É possível estabelecer uma vinculação indireta de Moreno e o Psicodrama com intelectuais revolucionários do movimento artístico desse gênero como Max Reinhardt, Stanislaviski, Luigi Pirandello e mais tardiamente com Artaud, de modo a expandir a importância de Moreno para além das abordagens terapêuticas da Psicologia e Psiquiatria.
No mesmo ano de 1921, Moreno funda o Laboratório de Stegreif, e, em 1923 defronta-se com o caso Bárbara-Jorge, que viria a dar início ao Teatro Terapêutico (4º marco do Psicodrama). É desse período também a publicação da obra O Teatro da Espontaneidade.

A emigração de Moreno para os Estados Unidos, em 1925, por motivos diversos, dá início a uma nova fase do Psicodrama, ao direciona-lo para um viés mais sociológico e grupal. Esta fase é definida didaticamente entre 1925 e 1941 e representa também a expansão do Psicodrama tanto a nível de abrangência teórica e prática, voltada para a dinâmica de grupo, quanto espacialmente, para além da Europa.
Em 1931 Moreno expõe suas idéias sobre Psicoterapia de Grupo na "American Psychiatric Association", sendo o ano verdadeiro para do início da PSICOTERAPIA DE GRUPO, e consolidando sua prática à abordagem psicoterápica. Um ano depois, em 1932, lança as bases da SOCIOMETRIA a partir de estudos feitos com jovens delinquentes da Comunidade de Hudson, vindo a publicar em 1934 o livro que veio a se intitular, em espanhol, como Fundamentos de la Sociometria.
Em 1936 constrói em Beacon, NY, o primeiro teatro terapêutico. No ano seguinte funda a revista Sociometry e incorpora-se às Universidades de Columbia e NY. Em 1942 funda o "The American Society of Group Psychotherapy" e o "Moreno Institute".

A quarta e última fase do Psicodrama veio a se constituir como de organização e consolidação da teoria moreniana, englobando o período de 1942 até 1974, e sendo marcada pela publicação dos livros fundamentais: Psicodrama, em 1946, Psicoterapia de grupo e psicodrama e Fundamentos do Psicodrama, ambos de 1959. Um dos pontos de crítica da Moreno, feita por muitos que tentam compreender as suas obras é a sua complexidade e dificuldade de sistematizar as diversas idéias e conceitos que dão suporte às diversas técnicas e práticas psicodramáticas, principalmente por tratar-se de uma abordagem que envolve muitos pressupostos, como já explicitado, desde a filosofia dialógica de Buber, os estudos fenomenológicos sobre de simpatia e empatia de Scheler e Jaspers, respectivamente, até teorias da psicologia social e da personalidade como as esbouçadas por Kurt Lewin sobre teoria de campo e dinâmica de grupo.
Para finalizar, é importante salientar a realização, em 1964, do I Congresso Internacional de Psicodrama e Sociodrama, em Paris, que teria servido como impulso para vários outros congressos, realizados inclusive na América Latina, como IV CIPS, realizado em Buenos Aires, em 1969, e o V CIPS, no Museu do Arte de São Paulo, Brasil, demonstrando a consolidação dessa abordagem efetivamente como campo da prática e produção teórico-científica na Psicologia e outras áreas do conhecimento humano.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

GONÇALVES, Camila Salles.; WOLFF, José Roberto.; ALMEIDA, Wilson Castello de. Lições do Psicodrama: introdução ao pensamento deJ. L. Moreno. - São Paulo: Agora, 1988.

BEZERRA, Dirle Portella. ¿Psicodrama¿. In: KAHHALE, Edna M. Peters (org.). A diversidade da psicologia: uma construção teórica. - São Paulo: Cortez, 2002.

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 1:56 AM Comments:



Domingo, Novembro 06, 2005

O ESTRONDO E O APOCALIPSE

Minha cabeça lateja e lembro-me novamente da vez em que tentei um suicídio em palavras afogadas na água fria de um chuveiro.

Distancio-me do cadafalso e mergulho no mistério inconpreensível das palavras noturnas e dos delírios compartilhados por poetas neo-beats.

Seguramente, soterro meus deleites na escura penumbra dos aeronautas e transfiguro-me em linguagem ciclica e enciclopédica do caos e dos sonhos magnéticos.

Mistura perfeita e contínua de linhas e pesadelos acrobáticos de palavras paralíticas e parapsicológicas. Derrubo os muros e as cascatas apocalípticas.

Sigo formas prontas de bradar o grito desacordado do miserável transfixado pelo milagre enlouquecedor dos anjos da destruição kamikasi.

Sou insâno e insuportavelmente lúcido e consciente para um poeta perdido e fragmentado neste mundo de máscaras e sombras egóicas.

Não acredito mais neste aquático soar de sirene histérica. Possuo-me na escada incendiada e atravesso o firmamento com meu último grito mudo de gozo estéril.

Latejo de corpo inteiro e estouro meus tímpanos polaróides.

(L. F. Calaça | 01/11/2005)

postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 12:05 PM Comments:




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